(1.1) resumo da História da Quinta da Asneira.

A Fundação pela Ordem de Santiago (Século XVI)

No sereno século XVI, a Quinta da Asneira, então conhecida como Quinta do Pomarinho, surgiu sob a tutela da prestigiosa Ordem de Santiago. Esta ordem religiosa militar, enraizada desde o século XII, desempenhou um papel vital na Reconquista cristã da Península Ibérica. A Quinta testemunhou o vigor desta ordem, consolidando-se como uma força essencial na expansão do território português.

Fundação da Quinta do Pomarinho pela Ordem de Santiago.

1565

O Convento de Nossa Senhora da Conceição (Séculos XVII-XIX)

Ao virar dos séculos, a Quinta passou para as mãos do Convento de Nossa Senhora da Conceição da Vila, uma congregação de frades descalços de Santo Agostinho. Fundado em 1670, o convento floresceu na ermida de Nossa Senhora da Conceição. Durante 166 anos, a Quinta testemunhou a devoção e os eventos da vida monástica. No entanto, com a extinção das Ordens Religiosas em 1834, a propriedade transitou para mãos seculares.

Concessão da Quinta à Ordem de Santiago.

1668

Fundação do Convento de Nossa Senhora da Conceição da Vila.

1670

Transformações e Valor Artístico (Séculos XIX-XX)

No século XIX, a Quinta foi adquirida por Joaquim Lopes Tavares, marcando uma fase de transformação e desenvolvimento. A propriedade foi enriquecida com fontanários, taças e elementos paisagísticos. A arquitetura barroca da Fonte Monumental, datada de 1705 e renovada em 1893, destaca-se como um símbolo artístico único. Os azulejos rococós, peças de Lisboa de cerca de 1780, adornam os bancos e revelam a influência artística da época.

Construção da Fonte Monumental.

1705

Extinção das Ordens Religiosas.

1834

Quinta vendida em hasta pública para Joaquim Lopes Tavares.

1874

Renovação da Fonte Monumental.

1893

Dos Anos 1870 até Hoje
(Século XIX - Atualidade)

Na década de 1870, a Quinta foi vendida em hasta pública e mudou-se para as mãos da família de Joaquim Lopes Tavares. O legado artístico da última proprietária conhecida, D. Isaura Gião, ecoa na arquitetura rica e nos detalhes cuidados da Quinta. A história da Quinta da Asneira continua, atravessando séculos e contando a história única de uma jóia que permanece viva nos dias de hoje.

Atualidade

...

A Fonte do Gião, uma obra-prima barroca erguida em 5 de outubro de 1898, é uma expressão magistral da arquitetura em alvenaria escaiolada. Este monumento destaca-se pela riqueza decorativa, apresentando pilastras compósitas, fogaréus e urnas ornamentais. A sua fachada é adornada por elementos barrocos como estrelas marinhas, máscaras antropomórficas e corações estilizados.

O acesso à fonte é marcado por um elegante arco de volta perfeita, enquadrado por uma arcada cega, detalhes em escaiola vermelha adornam as molduras e a empena, conferindo um toque de sofisticação. Dois amplos bancos de repouso esculpidos em granito complementam a área circundante.

Essas características tornam a Fonte do Gião uma verdadeira peça de arte que testemunha a maestria artística do período.

A Fonte das Lágrimas, mencionada por volta de 1758, é um ponto de água adornado no estilo rococó. Apresentando uma taça interior lavrada em mármore branco, seguindo o padrão romboidal, e um friso de azulejos policrómicos do século XVIII, esta fonte mantém a tradição muçulmana. É uma expressão notável da riqueza artística da época, onde a água se torna um elemento de beleza.

Quatro grandes painéis azulejares rococós, datados de cerca de 1780, decoram os bancos de repouso, representando símbolos das estações do ano. Essas peças, provenientes da Real Fábrica do Rato, são um núcleo artístico importante do período. Os azulejos monocromos em azul, com barras enconchadas e tons esverdeados, ilustram artisticamente a passagem do tempo.

A Fonte Monumental, construída no século XVIII, destaca-se no paisagismo da quinta. No estilo barroco alentejano, apresenta uma planta em forma de U com um pavilhão central coberto por cúpula radiada. Os painéis azulejares rococós, datados de cerca de 1780, exibem símbolos das estações do ano. A fachada é adornada com pilastras, fogaréus e urnas ornamentais, criando uma atmosfera majestosa.

O Portão de Entrada, do tipo rústico, saúda os visitantes com as suas pilastras molduradas, luneta elipsoide e empena decorada. A sua estrutura enriquecida com pináculos flamejantes oferece uma entrada imponente, marcando a transição para uma jornada histórica pela quinta.

O Castelo Izaura, erguido em 1914, destaca-se como uma peça única entre as fontes da Quinta da Asneira. A sua singularidade reside na representação de um castelo, composto por dois corpos principais revestidos com pedras de várias cores, que se entrelaçam formando desenhos encantadores. O corpo central simula a imponência de uma torre cilíndrica de castelo, coroada com ameias e merlões características.

No centro do castelo, as pedras assumem a forma de caracteres intrincados, adicionando um toque de mistério à estrutura. Um detalhe notável é a presença de uma gárgula antropomórfica de barro, por onde a água flui elegantemente, alimentando um tanque curioso em forma de ferradura. Ao redor da torre, dois bancos de repouso, adornados com as mesmas ameias e merlões, conferem a autenticidade dos muros de um castelo, proporcionando um local encantador para descanso e contemplação.

A Fonte Monumental, uma jóia histórica da Quinta da Asneira, tem as suas raízes no século XVIII, quando foi construída com o objetivo de embelezar o cenário da quinta. Erguida no estilo barroco alentejano, a sua presença majestosa destaca-se na paisagem, cativando visitantes ao longo dos séculos.

Com uma planta elegante em forma de U, a Fonte Monumental abraça um pavilhão central coroado por uma cúpula radiada, uma obra-prima arquitectónica que transcende o tempo. Datando de 1705-1893, esta fonte conta a história das eras, testemunhando mudanças e preservando a essência de diferentes períodos.

A fachada, ricamente adornada com pilastras compósitas e outros elementos barrocos, é um testemunho da perícia artística da época. Os fogaréus e urnas ornamentais enriquecem a estrutura, conferindo-lhe uma elegância única.

A Fonte Monumental é mais do que uma peça arquitectónica; é um elo com o passado, uma testemunha silenciosa de eventos que moldaram a história da quinta. Os azulejos rococós, datados de cerca de 1780, exibem símbolos das estações do ano, adicionando uma dimensão artística e simbólica à fonte.

Ao longo dos anos, a Fonte Monumental foi cuidadosamente preservada, mantendo-se como uma manifestação viva da riqueza histórica e cultural da Quinta da Asneira. O seu papel transcende a funcionalidade, sendo uma peça central no legado arquitetónico e artístico que perdura na quinta até os dias de hoje.

A evolução da arte em Montemor-o-Novo é intrinsecamente ligada à rica história e património cultural, destacando-se a Quinta da Asneira como um importante vetor desta expressão artística ao longo dos séculos. Num contexto em que a água desempenha um papel crucial na vida da comunidade, desde o abastecimento às práticas agrícolas, Montemor-o-Novo testemunhou o florescimento de diversas formas de arte.

Desde a época romana até à influência islâmica, a engenhosidade na gestão da água moldou o cenário urbano e rural.

Os moinhos movidos pela força da água e os aquedutos romanos são exemplos tangíveis dessa mestria técnica, demonstrando a capacidade de aproveitar o recurso natural de forma eficiente.

A Quinta da Asneira, ao longo dos séculos, reflete essa evolução artística. Desde os elementos barrocos presentes na Fonte do Gião, com as suas pilastras decorativas e urnas ornamentais, até aos azulejos rococós dos painéis que adornam a Fonte Monumental, a quinta é um testemunho visual da diversidade estilística que permeou Montemor-o-Novo.

A água, além de cumprir funções práticas, serviu como inspiração e elemento integrador na produção artística local. Fontes, poços e chafarizes não eram apenas fontes de abastecimento de água, mas também espaços de convívio e sociabilidade. A ida à fonte não era apenas uma tarefa diária, mas uma oportunidade para descanso, socialização e até mesmo namoro.

A arquitetura da Quinta da Asneira, com o seu Portão de Entrada imponente e a Fonte Monumental, é um reflexo da influência de diferentes períodos artísticos em Montemor-o-Novo. O barroco e o rococó, com as suas formas ornamentadas e simbolismo, encontram expressão nas estruturas que compõem a quinta.

Montemor-o-Novo, com a sua história rica e a Quinta da Asneira como um ponto focal, preserva e celebra a evolução da arte ao longo do tempo, incorporando a água como um elemento vital tanto na vida quotidiana como na expressão artística da comunidade.

Núcleo intramuros de Montemor-o-Novo

História da Ordem Militar de Sant’iago de Espada

Fonte da Quinta do Gião / Fonte da Quinta da Asneira / Fonte da Quinta do Pumarinho

Ordem de Santiago

Livro Breve roteiro da arte gótica e manuelina no concelho de Montemor-o-novo:
Túlio Espanca Inventário Artístico de Portugal-Distrito de Évora- Vol.VIII- Lisboa- 1975

Livro “Viagem a Portugal", José Saramago

Livro Almonsor vol.3 2004

Evocação Histórica e Artistica de Montemor-o-novo”, Almansor n1, Montemor-o-Novo, Câmara Municipal, 1983

Revista de Cultura 4 edição 2005

Inventário das Fontes e Chafarizes do Concelho de Montemor-o-Novo, camara municipal de Montemor-o-Novo 1996, 97, Ana Isabel Branca B. Saraiva

(1) a sua viagem pelos recantos da Quinta da Asneira.

(2) num espaço único e acolhedor, o apartamento Natura.

(3) onde vai poder conhecer a tranquilidade e a essência da maior região de Portugal.

(4) como é bom contemplar a natureza e a história deste local paradisíaco em Montemor-o-Novo.