A Fonte Monumental, uma jóia histórica da Quinta da Asneira, tem as suas raízes no século XVIII, quando foi construída com o objetivo de embelezar o cenário da quinta. Erguida no estilo barroco alentejano, a sua presença majestosa destaca-se na paisagem, cativando visitantes ao longo dos séculos.
Com uma planta elegante em forma de U, a Fonte Monumental abraça um pavilhão central coroado por uma cúpula radiada, uma obra-prima arquitectónica que transcende o tempo. Datando de 1705-1893, esta fonte conta a história das eras, testemunhando mudanças e preservando a essência de diferentes períodos.
A fachada, ricamente adornada com pilastras compósitas e outros elementos barrocos, é um testemunho da perícia artística da época. Os fogaréus e urnas ornamentais enriquecem a estrutura, conferindo-lhe uma elegância única.
A Fonte Monumental é mais do que uma peça arquitectónica; é um elo com o passado, uma testemunha silenciosa de eventos que moldaram a história da quinta. Os azulejos rococós, datados de cerca de 1780, exibem símbolos das estações do ano, adicionando uma dimensão artística e simbólica à fonte.
Ao longo dos anos, a Fonte Monumental foi cuidadosamente preservada, mantendo-se como uma manifestação viva da riqueza histórica e cultural da Quinta da Asneira. O seu papel transcende a funcionalidade, sendo uma peça central no legado arquitetónico e artístico que perdura na quinta até os dias de hoje.
A evolução da arte em Montemor-o-Novo é intrinsecamente ligada à rica história e património cultural, destacando-se a Quinta da Asneira como um importante vetor desta expressão artística ao longo dos séculos. Num contexto em que a água desempenha um papel crucial na vida da comunidade, desde o abastecimento às práticas agrícolas, Montemor-o-Novo testemunhou o florescimento de diversas formas de arte.
Desde a época romana até à influência islâmica, a engenhosidade na gestão da água moldou o cenário urbano e rural.
Os moinhos movidos pela força da água e os aquedutos romanos são exemplos tangíveis dessa mestria técnica, demonstrando a capacidade de aproveitar o recurso natural de forma eficiente.
A Quinta da Asneira, ao longo dos séculos, reflete essa evolução artística. Desde os elementos barrocos presentes na Fonte do Gião, com as suas pilastras decorativas e urnas ornamentais, até aos azulejos rococós dos painéis que adornam a Fonte Monumental, a quinta é um testemunho visual da diversidade estilística que permeou Montemor-o-Novo.
A água, além de cumprir funções práticas, serviu como inspiração e elemento integrador na produção artística local. Fontes, poços e chafarizes não eram apenas fontes de abastecimento de água, mas também espaços de convívio e sociabilidade. A ida à fonte não era apenas uma tarefa diária, mas uma oportunidade para descanso, socialização e até mesmo namoro.
A arquitetura da Quinta da Asneira, com o seu Portão de Entrada imponente e a Fonte Monumental, é um reflexo da influência de diferentes períodos artísticos em Montemor-o-Novo. O barroco e o rococó, com as suas formas ornamentadas e simbolismo, encontram expressão nas estruturas que compõem a quinta.
Montemor-o-Novo, com a sua história rica e a Quinta da Asneira como um ponto focal, preserva e celebra a evolução da arte ao longo do tempo, incorporando a água como um elemento vital tanto na vida quotidiana como na expressão artística da comunidade.
Núcleo intramuros de Montemor-o-Novo
História da Ordem Militar de Sant’iago de Espada
Fonte da Quinta do Gião / Fonte da Quinta da Asneira / Fonte da Quinta do Pumarinho
Livro Breve roteiro da arte gótica e manuelina no concelho de Montemor-o-novo:
Túlio Espanca Inventário Artístico de Portugal-Distrito de Évora- Vol.VIII- Lisboa- 1975
Livro “Viagem a Portugal", José Saramago
Livro Almonsor vol.3 2004
Evocação Histórica e Artistica de Montemor-o-novo”, Almansor n1, Montemor-o-Novo, Câmara Municipal, 1983
Revista de Cultura 4 edição 2005
Inventário das Fontes e Chafarizes do Concelho de Montemor-o-Novo, camara municipal de Montemor-o-Novo 1996, 97, Ana Isabel Branca B. Saraiva